A cannabis pode oferecer alívio a pessoas que vivem com rigidez muscular crônica.
- 15 de set. de 2025
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Para quem convive com rigidez muscular, a dor se torna parte da rotina. O corpo, que já não responde como antes, passa a se contrair sem aviso. E, para muitos, mesmo após tratamentos convencionais, o alívio nunca chega — ou, quando chega, é insuficiente.
A rigidez muscular é a sensação de músculos tensos, contraídos ou doloridos. Você provavelmente já sentiu rigidez muscular em algum momento da vida.
Dormir em uma posição inadequada, praticar exercícios físicos com muita intensidade ou ficar sentado em frente ao computador o dia todo podem causar dores e tensão muscular. Mas tratamentos simples geralmente aliviam o desconforto e relaxam os músculos tensos.
Muitas pessoas sofrem de rigidez muscular aguda devido a:
Desidratação e desequilíbrios eletrolíticos, dor muscular de início tardio (DOMS), dor muscular e inflamação temporária que se desenvolve após um treino intenso, picadas ou ferroadas de insetos, medicamentos ou anestesia usados durante a cirurgia, distensões ou entorses musculares, períodos de inatividade, como ficar sentado em uma mesa por horas.
A rigidez muscular também pode ser um sintoma de uma condição crônica, como a fibromialgia, lúpus (lúpus eritematoso sistêmico), polimialgia reumática, síndrome da pessoa rígida e lesão medular crônica.
A dor nos mús é um fenômeno que ocorre a partir de um estímulo mecânico, químico ou térmico nos nociceptores. Há fibras nociceptivas dos tipos A e C, sendo a dor crônica relacionada às fibras C. A transmissão dos estímulos dolorosos ocorre por meio da medula espinhal e, quando há persistência de tal estímulo, como ocorre na dor crônica, tem-se uma diminuição do limiar para dor o que promove o evento da hiperalgesia. Desde a descoberta do THC e do canabidiol, princípios ativos da Cannabis, os efeitos dessa planta vêm sendo estudados, sobretudo, o papel na modulação da dor exercido pelo sistema endocanabinoide. Este sistema possui dois receptores, C1 e C2, dos quais os C1 podem ser encontrados no sistema nervoso, enquanto os C2 podem ser encontrados em células do sistema imune, o que relaciona o receptor C2 com a dor.
Um novo estudo observacional realizado no Instituto Guttmann, em Badalona, na Catalunha, trouxe um respiro. Ou melhor: um spray.
Os pesquisadores avaliaram os efeitos dos nabiximóis - medicamento à base de cannabis comercializado como Sativex®, na espasticidade de pacientes com lesão medular crônica. O resultado? Uma redução expressiva dos sintomas em até dois meses de uso.
A espasticidade é uma das complicações mais desafiadoras para quem sofreu uma lesão medular. Ela se manifesta em forma de rigidez muscular, contrações involuntárias e espasmos que, muitas vezes, impedem até os movimentos mais simples. É como se o corpo, já fragilizado, decidisse brigar com quem o habita.
No estudo, participaram adultos com mais de 18 anos e que apresentavam espasticidade moderada a grave, resistente aos tratamentos tradicionais. Os pacientes foram avaliados antes de iniciar o uso do medicamento em spray e novamente após um e dois meses. A dose foi ajustada de forma personalizada, de acordo com as necessidades e tolerância de cada pessoa.
Os resultados foram animadores. Em apenas um mês, os participantes relataram uma redução de 30% na dor provocada pela espasticidade, medida pela escala visual analógica (EVA). Dois meses depois, esse índice se manteve, mas a redução em outra medida, a Escala de Avaliação de Modificação (EAM), chegou a 52%.
Além disso, 67% dos pacientes relataram melhora percebida em sua condição geral, conforme a Impressão Global de Melhora do Paciente (PGI-I).
Para quem convive com a dor todos os dias, sentir-se melhor é mais do que estatística. É esperança.
Referências:
Abuhasira, R., Ron, A., Sikorin, I. &Novack, V. (2019). Medical Cannabis for Older Patients-Treatment Protocol and Initial Results. J Clin Med.,8(11):1819. 10.3390/jcm8111819. Aguiar, D.D. (2020).
Avaliação do efeito antinociceptivo do canabidiol no tratamento agudo da dor neuropática e mecanismos antinociceptivos endógenos envolvidos nesse evento. 157 f. Tese: Doutorado no Programa de Pós-Graduação de Fisiologia e Farmacologia. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte
Hill KP, Palastro MD, Johnson B, Ditre JW. Cannabis and pain: A clinical review. Cannabis Cannabinoid Res. 2017;2(1):96-104





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