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Cannabis e sono: o que a ciência revela sobre benefícios e riscos no tratamento da insônia

  • há 7 dias
  • 2 min de leitura


Distúrbios do sono, especialmente a insônia, afetam milhões de pessoas no mundo e estão entre as principais queixas relacionadas à saúde mental e à qualidade de vida. Diante das dificuldades para dormir, cresce também a busca por alternativas aos medicamentos tradicionais — e a Cannabis sativa surge com frequência nesse cenário. Mas afinal, o que a ciência diz sobre o uso da cannabis como indutora do sono?

Uma revisão científica publicada na revista Research, Society and Development analisou dezenas de estudos nacionais e internacionais para entender como a Cannabis sativa atua no sono e quais são suas consequências neuropsicológicas. Os resultados mostram que, embora existam efeitos positivos, eles são limitados e exigem cautela.


Como a cannabis age no sono?

A cannabis atua principalmente por meio do sistema endocanabinoide, um conjunto de receptores presentes no cérebro e no corpo que regulam funções como humor, dor, apetite e sono. Os dois compostos mais conhecidos da planta são:

  • THC (tetrahidrocanabinol) – responsável pelos efeitos psicoativos e com ação sedativa em doses baixas

  • CBD (canabidiol) – não psicoativo, com propriedades ansiolíticas e moduladoras do efeito do THC

Em doses baixas, especialmente do THC, a cannabis pode reduzir o tempo para pegar no sono e aumentar o sono profundo, ajudando pessoas com dificuldade inicial para dormir. No entanto, doses mais altas tendem a causar o efeito oposto, prejudicando a qualidade do sono e reduzindo fases importantes, como o sono REM — fase associada aos sonhos e à consolidação da memória.



Forma de uso faz diferença

Outro ponto importante destacado pelo estudo é a via de administração. O fumo — forma mais comum e ainda ilegal no Brasil — libera toxinas prejudiciais à saúde por causa da combustão. Por isso, não é recomendado para fins terapêuticos.

A vaporização aparece como uma alternativa menos nociva, pois permite a inalação dos compostos ativos sem a produção das substâncias tóxicas da queima. Já o uso oral (óleos, extratos) tem absorção mais lenta e efeitos imprevisíveis, variando bastante de pessoa para pessoa.


Riscos neuropsicológicos e contraindicações

O uso frequente e sem acompanhamento médico pode levar a consequências importantes, como:

  • Alterações de memória, atenção e cognição

  • Ansiedade, paranoia e, em casos mais graves, episódios psicóticos

  • Desenvolvimento de dependência e síndrome de abstinência, com piora significativa do sono

Além disso, o uso de cannabis não é indicado para gestantes, lactantes e pessoas com histórico de transtornos psiquiátricos graves. A planta também pode interagir com diversos medicamentos, potencializando ou reduzindo seus efeitos.


O que os pesquisadores concluem?

A revisão científica reforça que a Cannabis sativa não deve ser utilizada de forma recreativa como solução para a insônia. Seu uso terapêutico pode até apresentar benefícios em contextos específicos, com doses controladas, por tempo limitado e sempre com orientação profissional.

Os autores também destacam a necessidade de mais pesquisas, especialmente sobre o efeito combinado dos diferentes compostos da planta — o chamado efeito entourage — e sobre o uso seguro da cannabis no cuidado com o sono e a saúde mental.



Fonte:

Silva, L. M. et al. O mecanismo de ação da Cannabis sativa L. enquanto indutora do sono e suas consequências neuropsicológicas. Research, Society and Development, 2022.

 
 
 

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