Marcha da Maconha: da dor ao direito — o ativismo da cannabis medicinal no Brasil
- 5 de mai
- 2 min de leitura
Por: Raisa Lucena Gaia

O debate sobre a cannabis medicinal no Brasil não nasceu apenas nos laboratórios ou nas universidades. Ele surgiu, principalmente, dentro das casas de famílias que buscavam alternativas para aliviar o sofrimento de pessoas adoecidas. Essa é uma das reflexões centrais do artigo “Das dores que vazam, que produzem o cotidiano: o trabalho do tempo no ativismo da maconha medicinal”, de Rafael Viana Nelvo, publicado na Revista Mundaú.
A análise ajuda a compreender a importância das associações de pacientes — como a Acanna — na construção do acesso à cannabis medicinal no país.
No dia 03 de maio, diversas cidades brasileiras realizaram mais uma edição da Marcha da Maconha, mobilização social que reúne pacientes, familiares, profissionais de saúde, pesquisadores e ativistas em defesa de políticas públicas mais justas relacionadas à cannabis.
A Marcha é um espaço democrático de construção coletiva e tem papel fundamental para:
ampliar o debate público sobre a cannabis medicinal;
combater o estigma histórico associado à planta;
defender o direito ao tratamento e à qualidade de vida;
fortalecer a participação social nas políticas de saúde.
Para muitas famílias, ocupar as ruas significa transformar histórias individuais de sofrimento em luta coletiva por dignidade e acesso à saúde.
Segundo o estudo, o ativismo da cannabis medicinal nasce da experiência concreta da dor. Muitas famílias chegam à cannabis após longas trajetórias marcadas por diagnósticos difíceis, tratamentos sem resultado e sofrimento contínuo.
Diante desse cenário, pacientes, mães, pais e cuidadores passam a:
buscar informações científicas;
trocar experiências entre si;
criar redes solidárias de apoio;
lutar por acesso seguro ao tratamento.
O que começa como uma busca individual por cuidado se transforma em mobilização coletiva por direitos em saúde.
É nesse processo que surgem e se fortalecem as associações de pacientes, fundamentais para orientar, acolher e garantir acesso responsável à terapia canabinoide.
o conceito de “trabalho do tempo”, mostrando que o caminho até o tratamento muitas vezes é marcado por esperas prolongadas:
espera por diagnóstico;
espera por autorização médica;
espera judicial para importação;
espera por políticas públicas efetivas.
Para quem vive a doença no cotidiano, o tempo institucional é lento — enquanto a dor é urgente.
A cannabis medicinal surge, então, como uma possibilidade concreta de melhora da qualidade de vida, especialmente quando outras terapias não oferecem respostas satisfatórias.
A luta expressa na Marcha da Maconha mostra que a cannabis medicinal vai além de uma alternativa terapêutica. Ela representa um movimento social construído a partir da solidariedade, da autonomia dos pacientes e da defesa do direito ao cuidado digno.
Quando a dor deixa o espaço privado e se transforma em ação coletiva, surgem mudanças sociais reais. O crescimento do debate sobre cannabis no Brasil revela uma sociedade cada vez mais comprometida com o acesso à saúde, à informação e à dignidade.
A Acanna segue inserida nesse movimento, reafirmando seu compromisso com a informação qualificada, o cuidado humanizado e a garantia do direito à saúde.




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