Redes Sociais, Sofrimento Psíquico e Cannabis: Como a Saúde Mental dos Jovens e adultos em sido impactada na era digital
- 29 de mai.
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Por: Raisa Lucena Gaia

As redes sociais transformaram profundamente a forma como jovens se relacionam, estudam, trabalham e enxergam a si mesmos. Plataformas como Instagram, TikTok e Facebook fazem parte do cotidiano de milhões de adolescentes e adultos jovens. Porém, junto com os benefícios da conectividade, cresce também uma preocupação cada vez mais presente entre pesquisadores e profissionais da saúde: os impactos das redes sociais na saúde mental.
Diversos estudos científicos apontam que o uso excessivo dessas plataformas está relacionado ao aumento de ansiedade, depressão, baixa autoestima, insônia e sofrimento emocional. A necessidade constante de aprovação através de curtidas, comentários e seguidores, além da comparação com padrões irreais de vida e beleza, tem afetado diretamente o bem-estar psicológico dos usuários.
Outro fator preocupante é o chamado “medo de ficar de fora” (FOMO – Fear of Missing Out), que gera sensação permanente de urgência, hiperconectividade e necessidade de estar sempre disponível online. Somado a isso, fenômenos como cyberbullying, excesso de estímulos e exposição contínua a conteúdos negativos podem intensificar crises emocionais, especialmente entre adolescentes.
Nesse cenário de sobrecarga emocional, muitas pessoas acabam buscando alternativas para aliviar sintomas como ansiedade, irritabilidade, dificuldade para dormir e estresse. É nesse ponto que a cannabis aparece frequentemente associada ao debate sobre saúde mental.
Segundo o artigo Impactos do Uso Crônico da Cannabis na Saúde Mental de Adolescentes e Adultos Jovens, o sistema endocanabinoide — responsável por regular funções como humor, sono, resposta ao estresse e emoções — ajuda a explicar por que algumas pessoas relatam sensação de relaxamento e alívio emocional após o uso da cannabis.
Para alguns usuários, a cannabis funciona como uma tentativa de desacelerar a mente diante do excesso de estímulos digitais e da pressão social produzida pelas redes. Em certos casos, pessoas relatam melhora temporária da ansiedade, redução da tensão emocional e sensação de bem-estar.
Entretanto, os próprios estudos científicos alertam para a necessidade de cautela. O uso crônico e precoce da cannabis, principalmente na adolescência, pode trazer consequências negativas importantes para a saúde mental e cognitiva. Pesquisas associam o uso excessivo ao aumento de sintomas depressivos, crises de ansiedade, ataques de pânico, dificuldades de memória, atenção e aprendizado.
Além disso, especialistas reforçam a diferença entre o uso recreativo sem acompanhamento e o uso terapêutico realizado com orientação médica. O acompanhamento profissional é fundamental para avaliar riscos, benefícios e formas mais seguras de cuidado em saúde mental.
O debate sobre redes sociais e cannabis revela um ponto importante: muitos jovens estão adoecendo emocionalmente em um contexto de hiperconectividade, cobrança constante e sobrecarga psíquica. Por isso, além de discutir substâncias e tratamentos, torna-se essencial promover educação digital, escuta qualificada, políticas públicas de saúde mental e estratégias de cuidado emocional mais acessíveis para a população.
Referências
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